O canal Space tem veiculado uma propaganda bem interessante
sobre o inicio da temporada da NBA. Interessante não pelo esporte em si, mas
pela profundidade da mensagem que conseguiram transmitir. Curioso, fui
pesquisar e descobri que o comercial foi inspirado em uma experiência sobre
percepção de contexto e prioridades do ser humano, feita pelo jornal Washington
Post há alguns anos. O jornal sugeriu que um famoso violinista, um dos melhores
músicos clássicos do mundo (Joshua Bell) tocasse, disfarçado de
"mendigo", em uma estação de metrô de Nova York, numa sexta feira, em
horário de rush. Pasmem, o artista tocou em seu raro violino (avaliado em mais
de 03 milhões de dólares) alguns dos maiores clássicos do gênero, durante
aproximadamente uma hora e passou despercebido por mais mil pessoas, que em
meio à rotina e à correria do dia a dia não conseguiram enxergar a arte que ali
brilhava, misturada e engolida pelo cenário cotidiano. Apenas meia dúzia de
gente intervaladamente deu-lhe alguma atenção e o resultado foi cerca de 30
dólares arrecadado a título de esmola. Engraçado que dias antes o mesmo músico
fez uma apresentação profissional para mais de 03 mil pessoas e o ingresso mais
barato foi vendido por 100 dólares. O que mais me chamou atenção foi a última
frase do comercial da Space... "Beleza camuflada pela força da repetitiva
monotonia. Deslumbramento rejeitado pela falsa urgência da vida". A Mais
pura verdade. Por que deixar em preto e branco aquilo que pode ser colorido?
Via de regra estamos tão bitolados em nossas mentes, que por vezes podemos ser
comparados a cavalos com antolhos, acostumados a olhar apenas para frente e
deixar de sentir o que os cerca. Por exemplo, a ponte velha que corta o rio
Potengi serve diariamente de palco para mostrar a beleza do encontro do sol com
o rio e os vários tons de cor que se formam no céu, só que o cenário passa em
branco graças a agonia daquele trânsito caótico, como também a pressa de
livra-se dele. Todas as manhãs o barulho urbano polui os ouvidos, mas se a
percepção aguça sempre se escuta um pássaro cantando. Uma simples mensagem de
bom dia muitas vezes é ignorada, não respondida porque lida entre um afazer e
outro na sala do escritório. A delicadeza/beleza dos pequenos detalhes do cotidiano
certamente pode ser apreciada com sublimação, mesmo que somente por um
instante, mas acaba sobreposta por prioridades habituais. É errado ignora-la (a
delicadeza/beleza)? De todo... NÃO, mas com certeza valoriza-la tornará o dia
bem mais interessante.