quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meu desejo, meu delírio.

Vem, vem agora e me diz
baixinho, no meu ouvidinho,
suave e com muito carinho:
"Com você quero ser feliz".

Vem sem medo de se apegar,
de encontrar o que é seu,
porque meu coração prometeu
que vai, a ti, se entregar.

Vem, esquece a distância.
"Já não há obstáculo".
Sussurrou-me um oráculo.
É o que tem importância.

Vem reviver, matar saudade.
Vem logo, vem depressa
abraçar quem se interessa
em querer-te de verdade.

Vem de vez, bem de repente,
pra nunca mais ficar
de fora do seu lugar,
perto de mim, eternamente.

Vem correndo pro meu lado,
vem que tudo dá certo ,
quero ter você por perto,
quero ser seu namorado.

Vem!
(Fernando AS Vasconcelos – 31/10/2012)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Beleza camuflada pela força da repetitiva monotonia. Deslumbramento rejeitado pela falsa urgência da vida"

O canal Space tem veiculado uma propaganda bem interessante sobre o inicio da temporada da NBA. Interessante não pelo esporte em si, mas pela profundidade da mensagem que conseguiram transmitir. Curioso, fui pesquisar e descobri que o comercial foi inspirado em uma experiência sobre percepção de contexto e prioridades do ser humano, feita pelo jornal Washington Post há alguns anos. O jornal sugeriu que um famoso violinista, um dos melhores músicos clássicos do mundo (Joshua Bell) tocasse, disfarçado de "mendigo", em uma estação de metrô de Nova York, numa sexta feira, em horário de rush. Pasmem, o artista tocou em seu raro violino (avaliado em mais de 03 milhões de dólares) alguns dos maiores clássicos do gênero, durante aproximadamente uma hora e passou despercebido por mais mil pessoas, que em meio à rotina e à correria do dia a dia não conseguiram enxergar a arte que ali brilhava, misturada e engolida pelo cenário cotidiano. Apenas meia dúzia de gente intervaladamente deu-lhe alguma atenção e o resultado foi cerca de 30 dólares arrecadado a título de esmola. Engraçado que dias antes o mesmo músico fez uma apresentação profissional para mais de 03 mil pessoas e o ingresso mais barato foi vendido por 100 dólares. O que mais me chamou atenção foi a última frase do comercial da Space... "Beleza camuflada pela força da repetitiva monotonia. Deslumbramento rejeitado pela falsa urgência da vida". A Mais pura verdade. Por que deixar em preto e branco aquilo que pode ser colorido? Via de regra estamos tão bitolados em nossas mentes, que por vezes podemos ser comparados a cavalos com antolhos, acostumados a olhar apenas para frente e deixar de sentir o que os cerca. Por exemplo, a ponte velha que corta o rio Potengi serve diariamente de palco para mostrar a beleza do encontro do sol com o rio e os vários tons de cor que se formam no céu, só que o cenário passa em branco graças a agonia daquele trânsito caótico, como também a pressa de livra-se dele. Todas as manhãs o barulho urbano polui os ouvidos, mas se a percepção aguça sempre se escuta um pássaro cantando. Uma simples mensagem de bom dia muitas vezes é ignorada, não respondida porque lida entre um afazer e outro na sala do escritório. A delicadeza/beleza dos pequenos detalhes do cotidiano certamente pode ser apreciada com sublimação, mesmo que somente por um instante, mas acaba sobreposta por prioridades habituais. É errado ignora-la (a delicadeza/beleza)? De todo... NÃO, mas com certeza valoriza-la tornará o dia bem mais interessante.